A palestina nos tempos de Cristo

As pessoas na época de Jesus e dos apóstolos viviam de forma muito diferente de nós. Moradias, comida, roupas, relações familiares, etc, nada disso era similar ao que temos hoje. As coisas mudaram muito.

Os(as) historiadores(as) conseguiram compor um quadro bastante preciso de como era a vida no tempo de Jesus, na Palestina, com base nos relatos do Novo Testamento, nos estudos de documentos históricos e nas descobertas arqueológicas. E isso é de grande utilidade para quem estuda a Bíblia.

Faço a seguir um breve relato de como essa vida era no dia-a-dia. O quadro que emerge não é nada bonito: as pessoas eram muito pobres e tinham vida muito difícil, para os padrões atuais.

Pirâmide Socal em Israel

As pessoas viviam muito pouco – a expectativa de vida era de apenas quarenta anos -, não tinham qualquer conforto, passavam dificuldades de toda sorte. Mal tinham o suficiente para matar a fome. Na realidade, as pessoas pobres hoje em dia tem padrão de vida melhor do que as pessoas de uma forma geral no tempo de Jesus. Vejamos alguns detalhes:

Forma de moradia

As pessoas viviam em casas feitas de tijolos, fabricados com barro e palha, secos ao sol. Esse material era muito parecido com o que os israelitas faziam para os egípcios durante seu período de escravidão, cerca de 1.500 anos antes de Jesus.

O piso dessas casas era normalmente de terra batida – apenas em residências mais ricas, o piso era de pedras. 

Os telhados eram planos e feitos de vigas de madeira entrelaçadas com ramos de árvores, com os espaços vedados por argila seca. Naturalmente, quando chovia, a água amolecia e removia parte dessa argila e apareciam goteiras… 

O pé-direito das casas era pouco maior do que dois metros, bem menos do que os padrões atuais, comprovando que as pessoas eram baixas – isso faz sentido, considerando os padrões nutrição deficientes daquela época.

O telhado também servia como local para dormir nos dias mais quentes do ano. Por isso costumava ter um parapeito de madeira para impedir que as pessoas caíssem. Um lance de escadas externo levava do térreo até o telhado.

As casas eram pequenas, abafadas e escuras, porque quase não haviam janelas, por motivo de segurança. A iluminação era ruim, tanto pela falta de luz natural, como também porque a luz artificial, vinda de lâmpadas de óleo, era precária.

As moradias não tinham água corrente e nem esgoto e, portanto, eram sujas para nossos padrões atuais. A água era conseguida em poços comunitários, sendo colhida e transportada em jarros de barro, tarefa muito cansativa.

A moradia de uma família mais simples, como a de Jesus e da maioria dos seus discípulos, costumava ser formada por um único cômodo, sendo uma parte elevada, onde eram colocadas esteiras de dormir, arcas para roupas e utensílios de cozinha. À noite, os animais normalmente ocupavam a parte mais baixa do cômodo, para ficarem protegidos. Quando os animais não estavam ali, as crianças usavam o espaço livre para brincar.

As camas eram feitas de esteiras colocadas diretamente sobre o piso, cobertas por mantas – somente pessoas mais ricas tinham camas. Não haviam mesas e nem cadeiras – a mobília era muito escassa. 

Comida


Os judeus costumavam comer duas refeições por dia: uma por volta do meio dia e outra no começo da noite. Sua dieta consistia de pão (aquele tipo que hoje chamamos de “árabe”), leite e queijo de cabra, vegetais e frutas. Em locais próximo do mar ou lagos, contavam também com peixes. Carne (cabrito ou carneiro), assada ou cozida, e vinho, diluído em água, somente eram consumidos em dias especiais.

As pessoas comiam reclinadas (nas ocasiões mais formais), acocoradas ou sentadas no chão. 

Vestuário


Os homens usavam túnicas, que iam até os joelhos. Um cinto era usado na altura da cintura, onde eram penduradas facas, ferramentas, etc. No inverno, usavam um manto ou capa pesada para se abrigar melhor. As roupas eram normalmente brancas.

As mulheres usavam uma túnica curta, como roupa de baixo, e sobre ela, uma túnica colorida, que ia até os pés. Os adornos eram fitas coloridas e miçangas – as joias eram raras. Mantos eram usados para abrigar melhor no inverno.

Vida em família


Grupos familiares grandes, formados por várias gerações de pessoas, eram comuns. A família era a base da sociedade e as relações de parentesco tinham grande importância.

O nascimento de um bebê do sexo masculino era motivo de grande alegria, mas bebês do sexo feminino eram motivo de desapontamento. No oitavo dia de vida, o garoto era circuncidado e recebia um nome, enquanto a menina podia ficar até um mês sem nome.

As famílias não tinham sobrenome para diferenciá-las. Por causa disso, as pessoas de mesmo nome eram distinguidas mediante o uso do nome do pai e até do avô – por exemplo, há uma passagem na Bíblia que Jesus se refere a Pedro como “Simão Barjonas”, que quer dizer “Simão” (seu nome) “filho” (bar) de “Jonas” (nome do seu pai). Também podia ser feita referencia à convicção política da pessoa (p. ex. “Simão, o Zelote”), à sua profissão (p. ex. “José, o carpinteiro”) ou ao local de onde a pessoa vinha (p. ex “José de Arimateia” ou “Maria de Magdala ou Madalena”).

Casamentos eram ocasiões festivas, que geravam comemorações de mais de um dia. As pessoas vestiam suas melhores roupas, a comida incluía os melhores pratos, havia música e dança. As pessoas se casavam muito cedo, assim que amadureciam sexualmente e podiam gerar filhos(as), já que a vida era curta.

As mortes eram frequentes e os enterros eram caracterizados por atos exteriores de sofrimento, como rasgar as próprias roupas, jejuar e cobrir-se de cinzas. Também eram usadas carpideiras, profissionais contratadas para chorar.

Conclusão


A dificuldade da vida nos tempos de Jesus deve fazer apreciar ainda mais o que aquelas pessoas conseguiram fazer, contando com tão poucos recursos e tendo que superar tantas dificuldades. Seu exemplo de vida é uma grande lição para nós.

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Antiguidade Oriental resumo – História dos Hebreus

Localização

– Próximo ao Egito;
– Região da Palestina;

Características

– Atual Israel;
– Pastoreio e agricultura (margens do Jordão);
– Propriedade da terra inicialmente coletiva – privada (aristocracia);
– Pirâmide social formada pela família real, fazendeiros e sacerdotes no topo, tendo abaixo deles os comerciantes e burocratas, e abaixo sustentando a sociedade os pastores, camponeses e escravos.

Cultura

– Religião Monoteísta;
– Escrita – Aramaico;

Evolução Política da Palestina

– Era dos Patriarcas:
– Estabelecimento dos hebreus;
– Abraão 1º patriarca vindo de Ur;
– Isaac e Jacó – 12 filhos – 12 tribos hebraicas;
– Êxodo rumo ao Egito (filisteus e cananeus) – invasões hicsas;
– Escravização dos Hebreus;
– Êxodo hebraico chefiado por Moisés;
– 40 anos no deserto;
– 10 mandamentos;
– Chegada à Palestina com Josué;
– Era dos Juízes;
– Disputa com os filisteus pela Palestina;
– Nomeação de juízes para liderar as 12 tribos;
– Samuel (maior líder);
– Unidade na monarquia;
– Era da monarquia:
– Saul 1º monarca;
– David – conquista de Jerusalém;
– Salomão – comércio e riqueza estatais;
– Construção de templos;
– Páscoa, pentecostes, Sebat;
– Impostos;
– Morte de Salomão;
– Fim da unidade Hebraica;

Cisma Hebraico

– Disputa pela sucessão de Salomão;
– Reino de Israel;
– Reino de Judá;
– 721a.C. – assírios conquistam Israel;
– 586a.C. – babilônios conquistam Judá;
– 539a.C. – libertação pelos Persas;
– Diáspora Hebraica:
– Domínio greco-macedônico e posterior romano;
– Destruição de Jerusalém em 70d.C.;
– 1948 – Estado de Israel;

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Quem foi o Rei Zedequias

O rei Zedequias foi o último rei de Judá entre 597 e 586 a.C. Zedequias era filho do rei Josias, e foi o terceiro entre seus irmãos a sentar-se no trono. Antes dele, seus irmãos mais velhos Jeoazaz e Jeoaquim já tinham governado Judá.

Entre o reinado de Jeoaquim (609 – 598 a.C.) e de Zedequias, seu sobrinho, Joaquim, reinou em Judá por três meses, antes de ser deposto e levado juntamente com os membros de sua casa e seus oficias para a Babilônia.

Após depor Joaquim, o rei Nabucodonosor estabeleceu Matanias como rei em Judá, e lhe mudou o nome de Matanias, que significa “dom de Javé”, para Zedequias, que significa “justiça de Javé” (2Rs 24:17). Como os homens mais valorosos de Jerusalém tinham sido levados para o cativeiro babilônico, o rei Zedequias tornou-se rei do remanescente que ficou.

SEU REINADO

Os relatos sobre os onze anos de reinado de Zedequias estão registrados em 2 Reis 24:18-25:26; 2 Crônicas 36 e em várias passagens do livro de Jeremias, como nos capítulos 29, 34 e 52.

Logo que começou a reinar, Zedequias parecia estar disposto a obedecer a Lei e seguir os conselhos do profeta Jeremias, especialmente sobre as políticas estrangeiras, tanto que ele enviou um tipo de comitiva diplomática à Babilônia para instruir os judeus que lá estavam a viverem de uma forma harmoniosa (Jr 29).

Apesar de aparentemente o reino herdado por Zedequias parecer tranquilo, a situação era bem difícil de controlar. Com o tempo, a corte de Zedequias se revelou ser um centro de conspirações contra a Babilônia.

Além disso, no quarto ano de seu reinado, o rei Zedequias recebeu em Jerusalém a visita de representantes de Edom, Moabe, Amom, Tiro e Sidom para propor uma conspiração conjunta contra Nabucodonosor.

Na ocasião, o profeta Jeremias se opôs veementemente a esse plano, e exortou que Deus era quem havia entregado as nações a Nabucodonosor, e qualquer um que tentasse se rebelar a esse domínio pereceria. O profeta utilizou até um jugo de madeira sobre seus ombros para dramatizar sua mensagem.

Nesse cenário o rei Zedequias compareceu à Babilônia, talvez intimado por Nabucodonosor, mas ao que parece ele conseguiu desviar as suspeitas sobre a conspiração (Jr 51:59).

Finalmente, entre o sétimo e oitavo ano de seu reinado, o rei Zedequias se aliou ao Egito, e essa aliança foi entendida como completamente desleal por Nabucodonosor, e o resultado foi a invasão da Palestina e o cerco de Jerusalém (Jr 34; 37; Ez 17).

Enquanto Jerusalém estava cercada, Jeremias foi muito claro ao dizer que a única possibilidade seria a rendição aos babilônios, pois Jerusalém deveria cair sob o domínio do rei Nabucodonosor.

Apesar dos babilônios terem tido alguma dificuldade durante um tempo por conta das ameaças dos egípcios sob o comando do Faraó Hofra que possivelmente pretendia ajudar a cidade sitiada, Nabucodonosor não desistiu do cerco de Jerusalém.

A cidade que era bem fortificada conseguiu resistir por aproximadamente um ano e meio. Durante esse período a população sofreu com a grande fome que se instalou e as pestes que surgiram devido à situação precária do momento.

A MORTE DE ZEDEQUIAS

Finalmente os babilônicos conseguiram abrir uma passagem no muro, e a cidade foi tomada. O rei Zedequias, percebendo que tudo estava perdido, tentou fugir para salvar sua própria vida, porém foi capturado pelos inimigos e conduzido até a presença de Nabucodonosor em Ribla.

O rei Zedequias foi sentenciado a ver seus filhos morrerem em sua frente, e depois teve seus olhos arrancados e foi levado acorrentado à Babilônia, onde permaneceu preso até sua morte.

Com isso, se cumpriram na íntegra as profecias sobre o último rei de Judá registradas em Jeremias 34 e Ezequiel 12.

Fonte: https://estiloadoracao.com/quem-foi-o-rei-zedequias-na-biblia/

A chamada do profeta Ezequiel

A chamada do profeta Ezequiel para exercer o ministério profético é uma das mais espetaculares registradas nas Escrituras. Esse chamamento é descrito em detalhes nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro. Nessa ocasião o profeta teve uma visão da glória divina.

Ezequiel, era um sacerdote que foi chamado para profetizar durante o Exílio do povo judeu na Babilônia, tendo exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 AC. Diz-se que fundou uma escola de profetas e que ensinava a Lei à beira do Rio Quebar que corta a cidade de Babilônia.

Ezequiel foi deportado para Babilônia na segunda leva, em 597 a.C. quando foram levados 10.000 cativos, ele tinha cerca de 25 anos, era de família sacerdotal e estava se preparando para o trabalho sacerdotal no templo. Aos 30 anos, Ezequiel recebeu sua chamada profética da parte de Deus e a partir daí ministrou fielmente durante 22 anos.

Na época de Ezequiel, Jeremias estava profetizando em Jerusalém, Daniel na corte da Babilônia e Ezequiel  era profeta para os exilados judeus em Babilônia. Ele era tanto profeta como também sacerdote.

Ele era casado, mas sua esposa morreu no dia em Nabucodosonor começou seu cerco final contra Jerusalém, a data e maneira da sua morte, são desconhecidas.

Série Introdução e comentário – Ezequiel Capa comum –

Os quatros seres viventes, querubins, vistos pelo profeta Ezequiel na ocasião de sua convocação, também lembram o chamamento de Isaías, onde ele viu os serafins que ministravam diante de Deus (Isaías 6:2). Além disso, existe uma semelhança muito grande com a visão do trono de Deus  que o apóstolo João teve (Apocalipse 4:16).

Quando o profeta Ezequiel caiu com o rosto na terra diante da visão tão gloriosa que teve, ele escutou as conhecidas palavras: “Filho do homem, põe-te em pé e falarei contigo” (Ezequiel 2:1). Nesse momento ele foi capacitado pelo Espírito a tornar-se um canal da revelação divina e proclamar a Palavra de Deus ao povo.

O profeta Ezequiel frequentemente é chamado por Deus pela expressão “filho do homem”. Nesse contexto essa expressão significa basicamente “ser humano”, e enfatiza a insignificância humana diante do poder e da majestade de Deus.

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